Por: Bianca Oliveira, Bruna Queiroz, Laura Cristina e Raíssa Jardim.
Resumo da proposta
A crescente instabilidade no Oriente Médio recolocou o Golfo Pérsico no centro das disputas geopolíticas contemporâneas. O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel transcende divergências ideológicas ou militares e deve ser compreendido como parte de uma disputa estrutural pelo controle das rotas estratégicas que conectam a Eurásia aos mercados globais. Nesse contexto, o Estreito de Ormuz assume papel central por concentrar uma das principais passagens marítimas do sistema energético internacional.
Segundo dados da Energy Information Administration (EIA, 2026), aproximadamente 20% do petróleo consumido mundialmente transita diariamente pelo Estreito de Ormuz, tornando-o um dos principais chokepoints energéticos do planeta. Diferentemente de outras rotas estratégicas, como o Canal de Suez ou o Estreito de Malaca, Ormuz concentra exportações essenciais das monarquias do Golfo e conecta diretamente os grandes produtores de petróleo aos mercados asiáticos e europeus.
A presente análise busca responder à seguinte questão: de que forma o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel se relaciona à disputa geopolítica pelo controle do Rimland eurasiano e das rotas estratégicas do Golfo Pérsico?
O recorte temporal da pesquisa compreende o período entre 2018 e 2026, marcado pela saída dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano, o Plano de Ação Conjunto Global (Joint Comprehensive Plan of Action – JCPOA), pela intensificação das sanções econômicas e pelo aumento das tensões militares indiretas envolvendo grupos aliados ao Irã. O recorte espacial concentra-se no Golfo Pérsico, especialmente no Estreito de Ormuz, embora também considere o Levante como extensão estratégica da projeção regional iraniana, sobretudo por meio da atuação do Hezbollah no Líbano e da conexão territorial entre Irã, Síria e Mediterrâneo.
As disputas contemporâneas no Oriente Médio afetam diretamente a estabilidade das cadeias globais de energia, a segurança marítima internacional e o equilíbrio de poder entre potências regionais e globais. Além disso, a ascensão de estratégias híbridas de guerra e a crescente aproximação do Irã com Rússia e China demonstram transformações importantes na ordem internacional contemporânea.
Com a finalidade de compreender essas dinâmicas, utilizamos uma abordagem qualitativa e exploratória, que possui como base, uma análise bibliográfica e análise geopolítica de cenário. Desta forma, a pesquisa procura se fundamentar por meio de artigos acadêmicos, relatórios internacionais e documentos estratégicos, tendo maior concentração entre período de 2018 a 2026, que marcados pela intensificação das tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel. Além disso, o estudo se propõe a desenvolver projeções de cenário, sendo uma otimista, pessimista e a mais provável, para analisar os impactos do conflito sobre a segurança regional e as cadeias globais de energia.

METODOLOGIA
A construção analítica deste artigo foi baseada nas articulações utilizadas pela Geopolítica clássica e Geoeconomia. Para isso, foram selecionados artigos acadêmicos e relatórios produzidos por organismos internacionais, centros de pesquisa e veículos de reportagem.
Além disso, o recorte temporal entre 2018 e 2026 foi adotado com o intuito de compreender os eventos que consideramos centrais para a reconfiguração das tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel, especialmente após a retirada norte-americana do acordo nuclear iraniano (JCPOA) e a intensificação das sanções econômicas e disputas militares no Golfo Pérsico.
A análise de cenário desenvolvida neste trabalho se estruturou por meio de três projeções possíveis: otimista, pessimista e mais provável, todas elaboradas com base na observação de variáveis militares, energéticas, econômicas e diplomáticas. A partir dessas variáveis, buscou-se compreender quais os possíveis desdobramentos regionais e sistêmicos do conflito, considerando seus impactos sobre a segurança internacional, as rotas estratégicas e as cadeias globais de energia.
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