Por: Alexia Denardi, Isabelle Lorena da Silva, Laura Carneiro, Luiz Pin Marques e Sofia Bezerra de Andrade.
Resumo da proposta
Desde o seu lançamento em 2013, a Belt and Road Initiative (BRI), proposta pela República Popular da China, é um projeto que visa conectar a China e a região da Ásia com outros continentes, sobretudo a África, Europa e Oriente Médio e se consolidou como o projeto de infraestrutura e integração mais ambicioso e promissor da atualidade. A BRI, em si, é um dos principais meios de articulação de política externa chinesa voltado à redistribuição de poder no Sistema Internacional. Acerca da BRI, a China buscou a expansão de sua presença estratégica e econômica não somente para a Ásia, mas para o Oriente Médio – região essencial para a segurança energética e o desenvolvimento de corredores econômicos marítimos.
Nesse contexto, a Arábia Saudita surge como uma parceria estratégica e fundamental, dado o espaço geográfico e geopolítico em que o país se localiza – região do Golfo e Mar Vermelho, tornando-se fundamental e relevante como a principal exportadora de petróleo para a China (CARNEGIE ENDOWMENT, 2025).
A aproximação entre a China e a Arábia Saudita se tornou mais forte principalmente após o lançamento da “Saudi Vision 2030”, um programa lançado pelo país em 2016 que visa a modernização econômica e busca também reduzir a dependência saudita do petróleo, para que com isso, diversifique os investimentos estrangeiros. A Saudi Vision 2030 também tem como objetivo transformar a Arábia Saudita em um conector de continentes, sendo eles a Ásia, África e Europa (STANDARD CHARTERED, 2025). Essa iniciativa converge diretamente com a lógica da China e a BRI (CARNEGIE ENDOWMENT, 2025).
Apesar de outros países do Oriente Médio, sobretudo a região do Golfo fazerem parte da BRI, a Arábia Saudita se destaca devido a alguns fatores, sendo eles: sua produção de petróleo, seu protagonismo regional e sua localização estratégica que dá acesso a rotas marítimas (Golfo e Mar Vermelho). Além disso, a convergência de ideias entre a BRI e a Saudi Vision 2030 torna esse laço ainda mais forte em detrimento a outros parceiros regionais, como por exemplo, os Emirados Árabes Unidos –segundo principal parceiro comercial da China (MOTOR MERCANTIL, 2025).
O ponto central da análise da relação entre estes dois atores é compreender como a BRI ao se inserir, investir no território e se alinhar aos projetos de desenvolvimento saudita, se posiciona como uma disputa por poder marítimo, territorial e comercial no Sistema Internacional. A disputa em si não envolve apenas a China e Arábia Saudita, mas diversos outros atores com influência direta na região do Golfo e Mar Vermelho, e temos como principal exemplo os Estados Unidos da América (EUA) tornando isso tudo de fato, uma competição contemporânea geopolítica.
Essa disputa geopolítica também pode ser compreendida a partir da crescente competição entre China e Estados Unidos. historicamente, os EUA exercem forte influência sobre o Oriente Médio por meio de instrumentos políticos, econômicos e militares, buscando preservar sua posição estratégica em uma região que concentra importantes recursos energéticos, rotas comerciais e pontos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho. Nesse contexto, a crescente presença chinesa por meio da BRI e da aproximação com a Arábia Saudita amplia a competição por imfluência na região.
Entretanto, a expansão chinesa na mesma região mostra que de fato, há uma reconfiguração e uma disputa por poder no Golfo e Mar Vermelho, a economia se torna um fator de projeção de influência chinesa em uma região que é vinculada historicamente aos EUA (CARNEGIE ENDOWMENT, 2025).
A análise desta pesquisa inicia-se em 2009 e se estende até os dias atuais. Nesse período, a China consolidou-se como a maior importadora global de petróleo saudita. Segundo o veículo jornalístico Le Monde Diplomatique, em 2009, a china ultrapassou os Estados Unidos como o maior comprador de petróleo da Árabia saudita (LE MONDE DIPLOMATIQUE, 2011). Essa posição manteve-se ao longo dos anos, de modo que, atualmente, a Arábia Saudita (46%) segue como o principal parceiro comercial da China na região do golfo, seguida pelos Emirados Árabes Unidos (38%) (MOTOR MERCANTIL, 2025). Dito isso, após pesquisas, foi constatado que a Arábia Saudita é o maior destino global de investimentos e contratos da BRI, em 2025 o país foi cenário de 42 acordos assinados vinculados a BRI (ARAB NEWS, 2025).
A escolha do tema acerca da Belt and Road Initiative (BRI) deu-se em razão de sua relevância no cenário mundial. A BRI é considerada um dos maiores investimentos da história moderna, com investimentos estimados em mais de US$ 1 trilhão, distribuídos em setores como logística, portos, ferrovias, energia e conectividade. Além disso, a iniciativa apresenta impactos socioeconômicos, como a redução da pobreza e a geração de pelo menos 500 mil empregos (MOTOR MERCANTIL, 2026). A relação entre os atores envolvidos pode ser de extrema importância entre os países. Nesse sentido, considerando o amplo alcance da BRI, não apenas no Oriente Médio, bem como a relevância que o projeto adquiriu e os investimentos realizados por diversos parceiros, compreendemos a BRI como um importante eixo de articulação na disputa por poder comercial, marítimo e territorial.
Com isso, diante a esta análise, a pergunta que direciona a pesquisa é: Como a BRI se torna uma disputa por poder marítimo, territorial e comercial utilizando a Arábia Saudita como parceira no Oriente Médio e como essa disputa é articulada para com os outros atores influentes da região?
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