favicon globo futurilab

Astropolítica em disputa: Estados Unidos e China na corrida pelo domínio espacial (2025-2035)

A presente análise tem como objetivo apresentar o contexto geopolítico acerca da astropolítica com foco nas duas nações que lideram a disputa deste terreno, EUA e China, localizado em um recorte de 10 anos (2025 a 2035) no espaço que compreende a disputa espacial entre as duas potências, considerando satélites e também instrumentos de apoio tecnológico na terra e mar.

10 de abril de 2026 | 31 min leitura
Astropolítica em disputa: Estados Unidos e China na corrida pelo domínio espacial (2025-2035)
Image by Magnific

Astropolitica em disputa: Estados Unidos e China na corrida pelo domínio espacial (2025-2035)

Por: Bruna Pereira Calixto da Silva, Felipe Fortunato Marcelino, Marcio Jorge Filho, Micaela Mina Setoguchi Odo e Yasmin Rodrigues de Melo

1. Sumário Executivo

A geopolítica é, tradicionalmente, tratada como um campo de estudos voltado à Terra. No entanto, com o rápido avanço tecnológico e a corrida espacial durante a Guerra Fria, surgiu uma nova possibilidade de reflexão dentro desse campo, dando origem à astropolítica. A astropolítica é a área que estuda como o espaço se transformou em uma nova dimensão das relações internacionais e das disputas de poder entre os países, analisando as dinâmicas políticas, estratégicas e diplomáticas relacionadas ao ambiente extraterrestre.

O que antes era visto apenas como um território destinado à exploração científica passou a ser compreendido como um espaço estratégico — tanto para a segurança militar quanto para o avanço tecnológico e econômico. Nas últimas décadas, a exploração espacial consolidou-se como um importante pilar do poder dos Estados, devido às suas características e recursos estratégicos (Seyedi Als, 2024). Atualmente, uma parte significativa dos sistemas de geolocalização e comunicação depende de satélites, o que confere grande valor estratégico a esses instrumentos — e poder a quem os controla. Dessa forma, a astropolítica tornou-se um tema de grande interesse e vasto potencial, tanto para os grandes atores geopolíticos quanto para aqueles que buscam ascender nas disputas por influência global. Por esse motivo, escolhemos analisar este tema, considerando sua relevância crescente e seu potencial de definir os rumos das disputas por poder e influência internacional nas próximas décadas.

Nesse contexto, optamos por analisar a disputa entre Estados Unidos e China, duas potências centrais na arena espacial. A China tem se destacado como um ator que avança rapidamente, sendo um dos principais competidores na corrida por energia limpa e na execução de grandes projetos espaciais. Em 15 de outubro de 2024, a China divulgou o Programa Nacional de Desenvolvimento, que orienta o planejamento do país em missões científicas e de pesquisa de 2024 até 2050. O programa visa atender às metas de desenvolvimento científico espacial chinês, incluindo 17 áreas prioritárias distribuídas em cinco temas científicos principais: universo extremo, ondulações do espaço-tempo, visão panorâmica Sol-Terra, planetas habitáveis e ciências biológicas e físicas no espaço (Poder360, 2024).

Desde 2014, quando a China abriu sua indústria aeroespacial ao investimento privado, o setor espacial tem crescido rapidamente, indicando que poderá valer mais de US$ 900 bilhões até 2029. No entanto, as empresas chinesas funcionam sob supervisão rígida e frequentemente dependem de financiamento estatal, o que limita o alcance da inovação disruptiva observada em empresas ocidentais, como a SpaceX. Ainda assim, demonstram grandes oportunidades em infraestrutura de satélites, serviços de lançamento e aplicações espaciais. Além disso, o governo chinês aumentou de forma expressiva seus gastos espaciais, que passaram de US$ 2,22 bilhões em 2022 para US$ 14,43 bilhões em 2023. Embora ainda esteja atrás dos Estados Unidos em gastos totais, os investimentos da China estão produzindo resultados concretos em programas estatais e comerciais.

Nesse sentido, o mercado aeroespacial chinês, avaliado em US$ 7,3 bilhões, tem apresentado crescimento expressivo, impulsionado pelo aumento dos investimentos em defesa, tecnologia de satélites e aviação civil (China Briefing, 2025). Caso consiga desenvolver a tecnologia de energia solar espacial antes dos Estados Unidos ou de outras potências, a China poderá consolidar-se como uma potência ainda mais influente.

Já os Estados Unidos demonstram preocupação em relação aos possíveis planos chineses envolvendo satélites. Pesquisas indicam que essa competição tende a se intensificar nos próximos anos, com ambos os países ampliando seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento que ameaçam sua hegemonia (Seyedi Als, 2024). Os investimentos dos Estados Unidos destinados ao setor espacial militar tendem a aumentar, estimulados pela rivalidade entre grandes potências e pela necessidade de desenvolver novas capacidades tecnológicas. Recursos adicionais previstos podem elevar o orçamento da US Space Force (ramo de serviço espacial das Forças Armadas dos Estados Unidos) para cerca de US$40 bilhões em 2026. As prioridades deste setor envolvem uma estratégia para ter uma constelação de satélites proliferada como 300-500 satélites de transporte de dados em órbita terrestre baixa (LEO) através da Space Development Agency, uma agência dos EUA criada em 2019 que tem a missão de acelerar o desenvolvimento e implantação de capacidades espaciais militares modernas (Air and Space Forces, 2025).

O exército também está investindo em arquiteturas resilientes e distribuídas para neutralizar ameaças de concorrentes avançados e desenvolvendo capacidades avançadas de comunicações por satélite (AeroSpace, 2025).

Por fim, o tema será analisado a partir de um recorte temporal de dez anos, período suficiente para observar possíveis mudanças em regimes internacionais, desempenho de grandes projetos, revisões de investimentos e encerramentos de ciclos, como a vida útil de satélites. Dentro desse horizonte temporal, será possível também examinar um possível cenário de declínio da hegemonia estadunidense, bem como a emergência de outros países relevantes nesse contexto, como Rússia e Índia.

2. Recorte Contextual

2.1 Tratados

O Tratado do Espaço Exterior de 1967 foi elaborado em pleno contexto da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética disputavam avanços tecnológicos e militares no espaço. Ele estabeleceu os princípios centrais da política espacial, limitando a militarização e proibindo a apropriação territorial (Nations Unies, 1967).

No cenário atual, os Estados Unidos utilizam os Acordos Artemis, lançados em 2020 sob a liderança da NASA, como uma tentativa de atualizar e operacionalizar os princípios do Tratado do Espaço Exterior diante das novas demandas tecnológicas e comerciais da exploração espacial (National Aeronautics and Space Administration, 2020). Embora não constituam um tratado internacional formal, os acordos funcionam como um instrumento multilateral voluntário, estabelecendo diretrizes para o uso pacífico do espaço, a cooperação entre nações, a preservação de locais históricos e a extração responsável de recursos lunares e de outros corpos celestes (Galvão, 2023). Apesar de reafirmarem os princípios de não-apropriação e benefício comum da humanidade, algumas cláusulas — como a criação de “zonas de segurança” — têm gerado debate jurídico por possivelmente abrir margem à privatização indireta do espaço (Souza, 2021).

Entretanto, a China não assinou os Acordos Artemis. O país segue um caminho próprio em sua política espacial e conduz programas como o Chang’e (exploração lunar) e a estação espacial Tiangong, geralmente em cooperação com a Rússia e outros parceiros fora do eixo norte-americano (Galvão, 2023). Os Acordos Artemis são vistos por Pequim como uma iniciativa liderada pelos EUA que reforça sua influência sobre a governança espacial internacional. Por essa razão, a China defende a criação de novos tratados sob a ONU, em oposição a acordos bilaterais ou multilaterais promovidos por um único país (UNOOSA, 2025).

Nesse sentido, os marcos regulatórios do espaço tornam-se instrumentos centrais da rivalidade EUA-China, refletindo disputas por poder, legitimidade e estratégia no ambiente espacial. Além disso, regulam o acesso e a exploração de recursos, evitam conflitos estratégicos e reforçam o soft power das grandes potências, moldando a governança espacial internacional.

2.2 Astropolítica militar norte-americana

O domínio das órbitas e das tecnologias espaciais é visto como essencial para a supremacia militar de países que buscam aumentar suas capacidades de dissuasão e controle estratégico deste campo geopolítico. A dimensão militar surge como um ponto de atenção para a análise de conjuntura aqui proposta, visto que os EUA se sobressaem como o ator dominante da exploração espacial desde a Guerra Fria e vêm aumentando seus investimentos neste setor, incluindo tecnologias de guerra, como o projeto “Domo de Ouro” ou a criação em 2019 da U.S Space Force. Isso se evidencia ao analisar o orçamento total destinado para essa agência em 2023, que foi de US$24,5 bilhões, um aumento de US$7 bilhões em comparação com o ano anterior. A maior parte do aumento está na área de pesquisa, desenvolvimento, teste e avaliação (RTD&E), com US$15,8 bilhões solicitados (The Heritage Foundation), mostrando que os EUA estão anualmente crescendo seus investimentos no setor.

O Domo de Ouro foi apresentado por meio de uma ordem executiva e detalhado em um discurso no Salão Oval, no qual foi descrito como o exemplo mais recente da busca pela “paz através da força”. Lançado sob a justificativa da crescente militarização do espaço por parte dos adversários geopolíticos Rússia e China, este projeto tem como objetivo proteger o território norte-americano contra ameaças nucleares e mísseis de longo alcance, utilizando tecnologias espaciais.

A China afirma que ele desestabiliza o equilíbrio estratégico global e pode arrastar o espaço cada vez mais para se tornar uma zona de guerra ao incentivar a corrida armamentista. Por outro lado, como pontua Clayton Swope e Melissa Dalton, China e Rússia já vêm expandindo suas capacidades nucleares e espaciais há anos e que o Golden Dome seria uma resposta defensiva e necessária para garantir a superioridade e dissuasão dos EUA (Novaspace, 2023).

A U.S. Space Force (USSF), criada oficialmente em dezembro de 2019 como o sexto ramo das Forças Armadas dos Estados Unidos, consolidou o espaço como um domínio operacional estratégico, ao lado da terra, mar, ar e ciberespaço. Sua missão central é proteger os interesses norte-americanos no espaço, assegurando a liberdade de operação e prevenindo ameaças a satélites e sistemas de comunicação vitais para a segurança nacional e para as operações militares globais. A USSF tem ampliado sua estrutura institucional e tecnológica, supervisionando o lançamento e o monitoramento de satélites, o desenvolvimento de sistemas de vigilância orbital e a integração de inteligência espacial com os demais ramos militares. A Força Espacial vem consolidando uma especificação voltada para a superioridade espacial, priorizando a resiliência das constelações de satélites, a defesa contra ataques cibernéticos e a modernização de sua infraestrutura de comando e controle.

Ao mesmo tempo, enfrenta o desafio de equilibrar a expansão de suas capacidades com a crescente competição de potências como China e Rússia, que também têm intensificado seus programas militares espaciais (Center for Strategic and Internacional Studies, 2025).

É importante olhar para esses fatos, porque eles mostram como o espaço se tornou um domínio estratégico ligado à supremacia militar, dissuasão e projeção de poder global. O controle das órbitas e tecnologias espaciais pelos EUA, por meio do Domo de Ouro e da U.S. Space Force, influencia diretamente a segurança nacional, as operações militares e a governança espacial, além de moldar rivalidades e cooperação com potências como China e Rússia.

2.3 Astropolítica chinesa

No que se refere à matriz energética, a energia hidrelétrica é atualmente a principal fonte de eletricidade limpa da China, contribuindo com 13% da produção em 2024. A participação combinada das energias eólica e solar atingiu 18%, superando a média global de 15% e os índices de seus vizinhos Japão (11%) e Coreia do Sul (6%). A maior transformação na geração de eletricidade chinesa em 2024 foi o crescimento explosivo da energia solar, responsável por mais da metade do aumento global de energia renovável. A China é o maior consumidor de eletricidade do mundo, respondendo por um terço da demanda global, e a geração limpa atendeu a mais de 80% do crescimento dessa demanda.

No entanto, os combustíveis fósseis ainda representaram 62% da eletricidade do país, com destaque para o carvão, que atingiu um recorde, embora tenha suprido menos de 20% do aumento do consumo (Ember, 2025). Nesse contexto, em março de 2016, o general Zhang Yulin, vice-presidente do Departamento de Desenvolvimento de Armas da Comissão Militar Central, afirmou que a China pretende utilizar o espaço entre a Terra e a Lua para a captação de energia solar e o desenvolvimento industrial (Donnellon-May, 2022).

Em 2003, a China lançou seu primeiro astronauta e, desde então, vem apresentando evoluções significativas nas últimas duas décadas, avançando rapidamente e aproximando-se das capacidades espaciais dos Estados Unidos, mesmo após ter sido excluída da Estação Espacial Internacional em 2011. Araya (2022) afirma que a indústria chinesa é capaz de desenvolver novas tecnologias espaciais duas vezes mais rápido que a americana, seu desenvolvimento acelerado do programa espacial chinês colocou o país em um momento oportuno para rivalizar com a supremacia dos Estados Unidos. Desde 2013, Xi Jinping tem investido fortemente no programa espacial chinês, destinando a ele recursos semelhantes aos dedicados, no passado, ao programa nuclear estabelecido por Mao Tsé-Tung, com o objetivo de fortalecer o país (Lin, 2021).

Os documentos de defesa chineses continuam enfatizando o desenvolvimento de capacidades anti-espaciais, voltadas para incapacitar o inimigo no contexto da chamada “guerra informatizada”. Em 2015, o Exército de Libertação Popular criou uma força de apoio estratégico para supervisionar operações espaciais, cibernéticas e de guerra eletrônica (Quintana, 2017). No mesmo ano, após o lançamento bem-sucedido e a implementação das primeiras fases do Programa de Exploração Lunar da China (CLEP) — um projeto que envolve as etapas de órbita, pouso e retorno —, o país propôs um plano a ser concluído antes de 2030 para exploração lunar com objetivos científicos e estratégicos (Starlink, 2025).

Nesse sentido, para a China, essa hegemonia estadunidense é vista como nociva e estratégica, motivo pelo qual, nas últimas décadas, o país tem intensificado seus investimentos em tecnologia espacial, buscando reduzir a dependência e alcançar autonomia em relação ao sistema norte-americano. “Se não formos agora, mesmo tendo condições para isso, seremos repreendidos por nossos netos. Se outros forem, então assumem o controle, e você não poderá ir mesmo que queira. Isso já é razão suficiente” (Davis, 2018).

Desde 2020, no âmbito de navegação e posicionamento, a China opera seu sistema próprio, o Beidou. Além disso, também tem investido em constelações de satélites, como o Gaofen e Yaogan, apesar de ainda muito menores que as constelações americanas.

A China tem buscado elevar seu posicionamento no Espaço, cada vez mais diminuindo as influências estadunidenses, e a Rússia também tem se apresentado como um importante aliado, compartilhando o mesmo objetivo de contrabalançar o poder no Espaço. “Tanto a Rússia quanto a China estão buscando uma ampla gama de armas anti-satélite para reduzir a eficácia militar dos EUA” (Spagnulo, 2019, apud Asl, 2024), essas armas que têm capacidade de destruir outros satélites fazem parte de uma estratégia da China de “Counter-Space”, e a cooperação russa é um sinal de multipolaridade orbital, desestabilizando a ideia de hegemonia.

2.4 Rivalidade entre Estados Unidos e China

A rivalidade entre os Estados Unidos e a China consolidou-se como o eixo central da política internacional contemporânea e reflete um processo mais amplo de declínio relativo da hegemonia norte-americana. Autores como John Mearsheimer argumentam que “a transição de poder dos EUA para a China já está em andamento” (BRASIL 247, 2023), impulsionada pela ascensão econômica, tecnológica e militar chinesa. Como afirma Silva (2020), da Revista Perspectiva (UFRGS), o crescimento chinês constitui o principal fator sistêmico que desloca o centro de gravidade do poder mundial.

Em primeiro lugar, é possível observar um declínio estrutural do poder econômico dos EUA, que perde participação relativa no PIB global enquanto a China se torna o principal motor do crescimento mundial. De acordo com o relatório Space Security Report (Seyedi Als, 2024), essa mudança afeta a capacidade americana de financiar sua presença internacional e sustentar coalizões estratégicas. Paralelamente, a crescente interdependência tecnológica, especialmente nas áreas de semicondutores, inteligência artificial e exploração espacial tornou-se terreno de disputa direta, marcada por sanções, restrições comerciais e esforços de desacoplamento das cadeias de suprimentos.

No âmbito militar, a supremacia tradicional dos EUA é crescentemente contestada. Conforme análise da Royal United Services Institute (Quintana, 2017) a China produz sistemas avançados de defesa, expande sua presença naval no Indo-Pacífico e desenvolve tecnologias anti-satélite e capacidades espaciais que desafiam a primazia militar norte-americana. Esse movimento é intensificado pela política chinesa de “contraespaço”, pela expansão de sua constelação de satélites e pela cooperação estratégica com a Rússia, fatores que reduzem a assimetria existente desde o fim da Guerra Fria.

A disputa hegemônica entre Estados Unidos e China manifesta-se de forma particularmente evidente no domínio espacial, hoje um dos principais eixos estratégicos das relações internacionais. Como abordado anteriormente, segundo matéria do Brasil247 (2023), os EUA buscam preservar sua supremacia por meio dos Acordos Artemis, da expansão da U.S. Space Force e de sistemas como o Golden Dome. Já a China responde com programas próprios como a estação Tiangong, o programa lunar Chang’e e constelações de satélites. Como destaca Silva (2020), “a ascensão chinesa força os Estados Unidos a readequar sua estratégia global diante de uma ordem cada vez mais multipolar”.

4. Análise de Cenários

4.1 Cenário: China olha mais para o Sul Global – acirramento

Desde 2009 com a ascensão de economias emergentes, países do dito terceiro mundo deixam de ser meros consumidores para poderem ter um maior poder deliberativo sobre as instituições internacionais (ZHOU, 2024). Os estados do Sul estão pressionando para reformar instituições globais (como ONU, FMI, Banco Mundial) e criando novas entidades, por exemplo, a Iniciativa do Cinturão e Rota da China, o Banco dos BRICS, etc. Naturalmente, isso implica um crescente interesse da China em se aproveitar do crescente antagonismo entre o norte e o sul global. Os países do Sul Global estão usando não só diplomacia, mas também cooperação econômica, institucional e tecnológica entre si (cooperação Sul-Sul), criando novas formas de ação internacional.

À medida que os países do Sul ganham mais peso político e econômico, a distribuição de poder internacional se desloca para uma configuração mais multipolar, reduzindo o espaço de primazia norte-americana. Esse processo ocorre não apenas pela ampliação do protagonismo dos emergentes, mas também pela construção de novas instituições, como o Banco dos BRICS, mecanismos de cooperação Sul-Sul e iniciativas lideradas pela China, como a Belt and Road Initiative, que oferecem alternativas concretas ao FMI, ao Banco Mundial e às estruturas tradicionais da ordem liberal.

A expansão desses instrumentos altera o funcionamento do sistema internacional ao diminuir a dependência dos países em desenvolvimento em relação às instituições dominadas por Washington, o que é percebido pelos EUA como uma erosão de sua capacidade de moldar normas e regras globais. Essa reconfiguração das coalizões políticas, mesmo quando motivada por interesses pragmáticos dos países envolvidos, tende a ser interpretada pelos EUA como um desafio direto à ordem internacional liberal, especialmente quando favorece plataformas tecnológicas chinesas, reduz a eficácia de sanções ou questiona mecanismos tradicionais de governança global.

Desse modo, a combinação entre redistribuição de poder, fortalecimento de instituições alternativas e novos padrões de interação internacional desenha um cenário em que a competição estratégica entre China e Estados Unidos se intensifica. Nos próximos 10 anos, o mundo poderá testemunhar uma consolidação do Sul Global como um polo de poder geopolítico, impulsionado pela crescente articulação entre países emergentes e pela liderança estratégica da China. A expansão de instituições alternativas como o Banco dos BRICS e a Iniciativa do Cinturão e Rota deve reduzir ainda mais a dependência de países em desenvolvimento em relação às estruturas tradicionais lideradas pelo Ocidente.

Essa reconfiguração poderá gerar tensões crescentes com os Estados Unidos, que veem sua influência normativa e institucional sendo desafiada. A diplomacia Sul-Sul, aliada à cooperação tecnológica e econômica, tende a fortalecer uma ordem internacional mais descentralizada, marcada por múltiplos centros de poder e por disputas mais acirradas sobre normas, padrões e governança global.

4.2 Cenário: Inovação Tecnológica, corrida espacial – acirramento

A expansão acelerada do programa espacial chinês tornou-se uma das principais fontes de inquietação estratégica para os Estados Unidos, segundo o relatório The Final Frontier Chinese Space Leadership and U.S. Strategic Anxiety (U.S.–CHINA ECONOMIC AND SECURITY REVIEW COMMISSION, 2025). O estudo aponta que a China deixou de atuar como participante periférica e passou a estruturar um projeto espacial de largo alcance, coordenado pelo Estado e apoiado por investimentos robustos em tecnologia, infraestrutura orbital e capacidades de exploração científica. Iniciativas como a Estação Espacial Tiangong, as missões lunares Chang’e e os planos de exploração de Marte são interpretadas pelos analistas não apenas como demonstrações de avanço científico, mas como instrumentos calculados de projeção de poder, prestígio e autonomia tecnológica.

Isso implica num óbvio eventual choque com os EUA, que desde 2019 tem aumentado esforços na militarização e presença dessa nova fronteira, tendo inclusive fundando o ramo espacial das forças armadas americanas. Em um eventual choque hegemônico, essa crescente expansão das áreas de conflito podem se tornar voláteis para a estabilidade internacional. A próxima década (e posteriormente) será marcada por uma intensificação da corrida espacial como arena estratégica entre China e Estados Unidos.

Com o avanço do programa espacial chinês, incluindo missões lunares, exploração de Marte e a consolidação da estação Tiangong, Pequim buscará afirmar sua autonomia tecnológica e seu prestígio global. Em resposta, os EUA podem ampliar sua presença orbital e acelerando a militarização do espaço, transformando-o em um novo campo de disputa hegemônica. A competição por recursos espaciais, domínio de satélites e tecnologias de comunicação poderá gerar instabilidades, exigindo novos marcos regulatórios internacionais. O espaço, antes símbolo de cooperação científica, tende a se tornar um espelho das rivalidades geopolíticas terrestres.

4.3 Cenário: Cooperação Internacional e possibilidades de parcerias entre os dois países – apaziguamento

Apesar de pouco comentada, China e EUA já estiveram em cooperação sobre o espaço, entre 1978 à 2000. No período entre 1980 à 1990, os foguetes chineses de Longa Marcha foram responsáveis por lançar satélites para o Estados Unidos. A cooperação aconteceu, principalmente, pois, por meio da cooperação, os Governos nacionais podem delegar as partes mais custosas e complexas de suas operações, para outras Nações, e neste caso, foi encerrada por motivos políticos, econômicos e geopolíticos (Zhang, Seely, 2019). Em seu artigo, Zhang e Seely (2019) explicam que programas de espaço geralmente se enquadram no termo “Big Science and Technology”, ou seja, programas científicos e tecnológicos de grande escala e custo elevado, o que torna a cooperação no espaço cada vez mais comum.

Apesar do atual contexto hostil entre os dois países, este cenário prevê uma retomada na cooperação, e uma possível reconciliação entre os países, em até 10 anos, a fim de promover avanços nas tecnologias de Espaço. Atualmente, separados das tensões políticas entre os dois Estados, há indícios, apesar de pequenos, que apontam para trabalhos em conjunto.

Uma matéria da BBC (2025) reportou que a China National Space Administration (CNSA) compartilhará o acesso à amostras de pedras adquiridas em sua missão de 2020 em Marte, a Chang’e-5, com algumas instituições, incluindo duas fundadas pela NASA. A mesma reportagem indica a fala do chefe da CNSA sobre as amostras, “um tesouro compartilhado por toda a humanidade”, essa lógica pode ser a motora para possíveis cooperações em 10 anos, o compartilhamento de conhecimentos que beneficiaram o mundo inteiro.

Apesar do compartilhamento ser possível na via China à Estados Unidos, atualmente o contrário é dificultado devido à “Emenda Wolf”, uma Lei Estadunidense sancionada em 2011, que proíbe a cooperação da NASA com a China, com o objetivo de evitar o “roubo” de tecnologias, por parte da China (Harvard International Review, 2019). O desejo da reversão dessa lei já foi expressado por autoridades chinesas, e em 2021, durante o governo Biden, o CSIS (Center for Strategic and International Studies) também expressou sua opinião, ao recomendar ao governo Biden o apoio a ação do Congresso para revogar a Emenda Wolf.

Como visto ao decorrer do artigo, a importância do Espaço tende a aumentar com o tempo, e nesse sentido, novas tecnologias e a dominância sobre o conhecimento na área ganharão maior importância. Uma análise do CSIS expôs que apesar do objetivo da emenda, a mesma prejudica colaborações internacionais da NASA, e não impediu a China de desenvolver sua tecnologia espacial, que fica cada vez mais perto de abalar a hegemonia estadunidense. Mais de 20 anos após a implementação das restrições decorrerão em uma maior perda do que ganho com a lei, o que implicará em sua revogação por parte do Governo Estadunidense, então, a cooperação na relação sino-americana trarão, além de descobertas e tecnologias que beneficiarão o mundo inteiro, o apaziguamento entre os dois países.

4.4 Cenário: Regulação e Diplomacia, tratados, organizações internacionais – apaziguamento

Atualmente, apesar dos já existentes tratados do Espaço, nenhum é eficaz para reduzir tensões e trazer um apaziguamento nas relações entre China e Estados Unidos no Espaço. Acontece que, a maioria dos tratados já existentes na área militar, como o Tratado do Espaço Exterior de 1967, criado durante o período da Guerra Fria, não contemplam as novas tecnologias como as armas anti-satélite e as mega constelações (O’Meara, 2025).

Portanto, estes tratados, embora estabeleçam princípios gerais, não criam normas detalhadas de comportamento nem mecanismos de verificação capazes de gerar confiança mútua.

Nesse cenário, considera-se a possibilidade de que a diplomacia multilateral, mediada por organizações internacionais, torne-se o principal vetor de um processo gradual de apaziguamento nas relações sino-americanas. Como visto nos parágrafos dedicados à tratados, apesar de não ter assinado o tratado Ártemis, proposto pelo Estados Unidos, a China defende a criação de novos tratados sob mediação da ONU. A China defende mecanismos multilaterais e reflete seu interesse em equilibrar o ambiente regulatório, diluir a influência estadunidense e legitimar sua posição como potência espacial emergente.

5. Recomendações

Tendo em vista o panorama apresentado e seus possíveis desdobramentos, propõem-se as seguintes recomendações. Elas foram identificadas a partir da necessidade de enfrentar os desafios analisados e com viabilidade política, impacto potencial e alinhamento com boas práticas internacionais.

5.1 Incentivar diálogos bilaterais e multilaterais

Com o objetivo de reduzir tensões e evitar que elas se tornem mais perigosas, propõem-se que os formuladores de políticas chineses e estadunidenses se comprometam com a adesão a plataformas estruturadas para o diálogo, negociação e resolução pacífica. Canais de comunicação e diálogo contínuo, baseados no direito internacional, normas compartilhadas e responsabilidade coletiva para gerenciar a exploração espacial.

Sugere-se, portanto, a reformulação de tratados e acordos que versam sobre este tema para que se incluam meios de cooperação que visem atender ao bem comum da corrida espacial. Como vimos, os acordos Ártemis apresentam pontos que precisam ser revisados e melhor elaborados para atender este fim, além da contestação que a China faz sobre estes acordos, alegando ser um instrumento de fortalecimento da influência norte-americana.

Dessa forma, os acordos devem ser construídos com base em princípios multilaterais de cooperação consolidados no Tratado do Espaço Exterior, ou seja, prezando pelo uso pacífico das tecnologias espaciais e se comprometendo com a proibição de armamentos nucleares em órbita.

5.2 Promover transparência e confiança

Outro ponto de fundamental importância e que deve ser a base de quaisquer iniciativas na astropolítica é a transparência e confiança entre as nações. Sendo assim, recomenda-se que sejam seguidas com rigor as propostas da Resolução 68/50 da ONU, que define como prática essencial:
a) Notificação prévia de lançamentos espaciais
b) Registro internacional de objetos lançados ao espaço

Além disso, é importante sempre manter atualizadas as bases de dados abertas e compartilhadas sobre a situação espacial, como a Space Situational Awareness (SSA). Obter estas informações em tempo real é crucial para evitar colizões em órbita, reduzindo riscos e garantindo maior segurança.

Tais medidas reduzem o risco de interpretações erradas, especialmente de potências rivais, e promovem mais transparência e confiança.

5.3 Diversificação de Parcerias

No contexto em que potências rivais despontam na corrida espacial, a diversificação de parcerias aparece como uma alternativa viável capaz de amortecer a rivalidade ao reduzir a polarização. Com a adesão de novos países neste campo, cria-se novas possibilidade de pontes diplomáticas, canais de comunicação, mediadores e ajuda a evitar rápidas escaladas de tensões.

Vimos que a criação de parcerias e alianças dentro de uma mesma esfera de influência, como os Acordos de Ártemis para os EUA, resultam em uma intensificação das tensões ao representar uma ameaça para interesses chineses. Nesse sentido, recomenda-se que nos foros multilaterais seja incentivada a formação de parcerias diversificadas que não criem blocos de influência fechados.

Para isso, a atuação de outros atores pode ser de grande importância, a exemplo da cooperação entre a ESA (European Space Agency), a NASA (National Aeronautics and Space Administration) e a CNSA (China National Space Administration).

Estas agências podem se beneficiar da cooperação em áreas técnicas científicas de forma que não comprometa seus ganhos ao concordarem em acordos internacionais que os custos de impedir o avanço de outros países são maiores que os benefícios que podem surgir com a cooperação.

Referências

AIR & SPACE FORCES. Space Force Spending Could Hit $40B in 2026. Disponível em <https://www.airandspaceforces.com/space-force-spending-could-hit-40b-in-2026/>. Acesso em: 21 nov. 2025.

ARAYA, Daniel. Sino-American rivalry fuels a new cold war in space. Center for International Governance Innovation, 15 dez. 2022. Disponível em: <https://www.cigionline.org/articles/sino-american-rivalry-fuels-a-new-cold-war-in-space/>. Acesso em: 4 nov. 2025.

ASL, Seyedmohammad Seyedi. Astropolítica e a nova área de rivalidade geopolítica entre EUA e China. AUSTRAL: Revista Brasileira de Estratégia e Relações Internacionais, v. 13, n. 26, p. 56–77, jul./dez. 2024. Tradução de Felipe Werner Samuel.

BBC NEWS. News article on space and geopolitics. Disponível em <https://www.bbc.com/news/articles/cp8v691qmg5o>. Acesso em: 24 nov. 2025.

BRASIL 247. John Mearsheimer: a transição de poder dos EUA para a China já começou. Brasil 247, 2023. Disponível em: <https://www.brasil247.com/ideias/john-mearsheimer-a-transicao-de-poder-dos-eua-para-a-china-ja-comecou>. Acesso em: 24 nov. 2025.

CARVALHO, Frederico. Tratado do Espaço Exterior – 1967. OTC – Observatório do Tratado do Comércio Exterior, 29 jan. 2016. Disponível em: <https://otc.pt/wp/2016/01/29/tratado/>. Acesso em: 30 set. 2025.

CENTER FOR STRATEGIC AND INTERNATIONAL STUDIES. Does the Golden Dome Create Strategic Instability or an Opportunity with China and Russia? Disponível em: <https://www.csis.org/analysis/does-
golden-dome-create-strategic-instability-or-opportunity-china-and-russia
>. Acesso em: 21 nov. 2025.

CHINA BRIEFING. China’s Space Economy: Unlocking Opportunities in Aerospace and Commercial Space Industries. China-Briefing, 4 fev. 2025. Disponível em: <https://www.china-briefing.com/news/chinas-opportunities-in-aerospace-and-commercial-space-industries/>. Acesso em: 21 nov. 2025.

CSIS. Infinity and Beyond: Civil and Commercial Space Policy in the Biden Administration. Center for Strategic and International Studies. Disponível em: <https://www.csis.org/analysis/infinity-and-beyond-civil-and-commercial-space-policy-biden-administration>. Acesso em: 24 nov. 2025.

CSPS – AEROSPACE CORPORATION. FY 2025 Defense Space Budget: Continued Emphasis on Proliferation under a More Constrained Top. Disponível em: <https://csps.aerospace.org/papers/fy-2025-defense-space-budget-continued-emphasis-proliferation-under-more-constrained-top>. Acesso em: 21 nov. 2025.

DAVIS, Malcom. China, the US and the race for space. The Australian Strategic Policy Institute, 12 jul. 2018. Disponível em: <https://www.aspistrategist.org.au/china-the-us-and-the-race-for-space/>. Acesso em: 21 nov. 2025.

DONNELLON-MAY, Genevieve. The new space race that is heating up between China and the US. Australian Institute of International Affairs, 21 nov. 2022. Disponível em <https://www.internationalaffairs.org.au/australianoutlook/the-new-space-race-that-is-heating-up-between-china-and-the-us/>. Acesso em: 4 nov. 2025.

EMBER. China: country profile. Ember Energy, [s.d.]. Disponível em: <https://ember-energy.org/countries-and-regions/china/>. Acesso em: 4 nov. 2025.

GALVÃO, Jéssyka Maria Nunes. Os acordos de Ártemis e a Lex Spacialis: a exploração dos recursos espaciais e a compatibilidade com o Direito Internacional do Espaço. Curitiba: AYA Editora, 2023.

HARVARD INTERNATIONAL REVIEW. Trouble in the Stars: The Importance of U.S.-China Bilateral Cooperation in Space. Disponível em: <https://hir.harvard.edu/trouble-in-the-stars-the-importance-of-us-china-bilateral-cooperation-in-space/>. Acesso em: 24 nov. 2025.

LI, Chunlai et al. China’s present and future lunar exploration program. Science, v. 365, p. 238–239, 2019. DOI: <https://doi.org/10.1126/science.aax9908>.

LIN, Kun-Chin. From sea to space: Chinese “astropolitical” ambitions in the 21st century. Centre for Geopolitics, 17 set. 2021. Disponível em: <https://www.cfg.polis.cam.ac.uk/commentary/chinese-astropolitical-ambitions>. Acesso em: 4 nov. 2025.

MEARSHEIMER, John. Searching for a Strategy: The United States in a Multipolar World. Disponível em:
<https://www.google.com/search?q=mearsheimer>. Acesso em: 23 nov. 2025.

MCTI – MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÕES (Brasil). Brasil assina Acordos Artemis da NASA. Brasília, 15 jun. 2021. Disponível em: <https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2021/06/brasil-assina-acordos-artemis-da-nasa>. Acesso em: 30 set. 2025.

NATIONAL AERONAUTICS AND SPACE ADMINISTRATION (NASA). The Artemis Accords: Principles for Cooperation in the Civil Exploration and Use of the Moon, Mars, Comets, and Asteroids for Peaceful Purposes. Washington, D.C., 2020. Disponível em: <https://www.nasa.gov/specials/artemis-accords/>. Acesso em: 30 set. 2025.

NATIONS UNIES. Treaty on Principles Governing the Activities of States in the Exploration and Use of Outer Space, including the Moon and other Celestial Bodies. Vienna, 27 jan. 1967. United Nations Office for Outer Space Affairs. Disponível em:<https://www.unoosa.org/oosa/en/ourwork/spacelaw/treaties/introouterspacetreaty.html>. Acesso em: 30 set. 2025.

NOVASPACE. New historic high for government space spending mostly driven by defense expenditures. Disponível em: <https://nova.space/press-release/new-historic-high-for-government-space-spending-
mostly-driven-by-defense-expenditures/
>. Acesso em: 21 nov. 2025.

PODER360. China lança programa de desenvolvimento de ciência espacial. Poder360, Brasília, 19 out. 2024. Disponível em: <https://www.poder360.com.br/poder-internacional/china-lanca-programa-de-
desenvolvimento-de-ciencia-espacial/
>. Acesso em: 21 nov. 2025.

QUINTANA, Elizabeth. Chinese counter-space capabilities and military modernization. Royal United Services Institute (RUSI), 2017.

QUINTANA, Elizabeth. The new space age: questions for defence and security. The RUSI Journal, v. 162, n. 3, p. 88–109, 2017. DOI: <https://doi.org/10.1080/03071847.2017.1352377>.

SCIENCEDIRECT. Article on international cooperation and space security. Disponível em:
<https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0265964618300079>. Acesso em: 24 nov. 2025.

SEYEDI ALS, Mehdi. Great-power competition and the militarization of outer space. Space Security Report, 2024.

SILVA, Mariana Vieira da. A ascensão da China e o declínio relativo dos Estados Unidos: uma análise sistêmica. Revista Perspectiva, v. 40, n. 1, p. 1–25, 2020. Disponível em: <https://seer.ufrgs.br/RevistaPerspectiva/article/download/89768/54918>. Acesso em: 24 nov. 2025.

SOUZA, Marcelo Dias de. O espaço sideral e os novos desafios jurídicos da exploração lunar: uma análise dos Acordos Artemis. Revista Brasileira de Direito Espacial e Tecnologia, v. 4, n. 2, p. 77–94, 2021.

SOUZA, Marcelo. Zonas de segurança e a disputa jurídica no espaço. Revista de Direito Espacial, v. 12, n.2, 2021.

STARLINK. Novidades da Starlink, 30 jul. 2025. Disponível em: <https://starlink.com/br/updates>. Acesso em: 4 nov. 2025.

THE HERITAGE FOUNDATION. U.S. Space Force. Disponível em: <https://www.heritage.org/military-
strength/assessment-us-military-power/us-space-force
>. Acesso em: 21 nov. 2025.

TINGLEY, Brett. What is the U.S. Space Force and what does it do? Space.com, 14 fev. 2023. Disponível em: <https://www.space.com/us-space-force-history-mission-capabilities>. Acesso em: 4 nov. 2025.

UNOOSA – UNITED NATIONS OFFICE FOR OUTER SPACE AFFAIRS. Space Law Treaties and Principles. Vienna, 2025. Disponível em: <https://www.unoosa.org/oosa/en/ourwork/spacelaw/treaties.html>. Acesso em: 4 nov. 2025.

U.S.-CHINA ECONOMIC AND SECURITY REVIEW COMMISSION. 2019 Report to Congress: China’s Ambitions in Space – Contesting the Final Frontier. Washington, DC, 2019. Disponível em:
<https://www.uscc.gov/sites/default/files/2019-11/2019%20Annual%20Report%20to%20Congress.pdf>.
Acesso em: 23 nov. 2025.

U.S.-CHINA ECONOMIC AND SECURITY REVIEW COMMISSION. 2025 Annual Report to Congress: Chapter 7 – The Final Frontier: China’s Ambitions to Dominate Space. Washington, DC, 2025. Disponível em: <https://www.uscc.gov/annual-report/2025-annual-report-congress>. Acesso em: 23 nov. 2025.

ZHOU, Guiyin. Rise of Global South and Changes in Contemporary International Order. China International Strategy Review, v. 6, p. 58–77, 4 jun. 2024. Disponível em: <https://link.springer.com/article/10.1007/s42533-024-00160-x>. Acesso em: 24 nov. 2025.

Faça o download do Policy Brief


Assine

Cadastre seu endereço de e-mail para receber novidades e atualizações.